Comitiva da Agência inspecionou trabalhos e visitou produtor local
A consolidação da primeira agroindústria de café de Capixaba, no Acre, está cada vez mais próxima da realidade. Uma comitiva técnica liderada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) realizou uma vistoria nesta quarta-feira, 2/7, nas obras da futura unidade. Além de inspecionar o andamento dos trabalhos, que já atingiram 42% de conclusão, o grupo visitou a propriedade rural do produtor José Bento para acompanhar de perto a realidade da produção na ponta.
A visita técnica contou com a participação do gerente de Fomento às estratégias ASG, Rogério Araújo (foto, ao centro), dos assessores da Presidência da ABDI, Nikolas Vieira e Sérgio Dias, da presidente da Cooperativa Agroextrativista Santa Fé (Copasfe), Nilva Dantas, e do superintendente da Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Estado do Acre (Cooperacre), Manoel Araújo. O objetivo do encontro foi alinhar os detalhes da execução física do projeto e avaliar o impacto da infraestrutura para os produtores da região.
A unidade de Capixaba conta com um investimento de R$ 6,5 milhões da ABDI. O aporte faz parte de um convênio robusto firmado entre a Agência e a Cooperacre, que totaliza R$ 14,7 milhões — sendo R$ 13,1 milhões em recursos federais geridos pela ABDI e R$ 1,6 milhão em contrapartida da cooperativa.
Polos de Desenvolvimento
O projeto em andamento busca replicar no Baixo Acre o modelo de sucesso já consolidado no Vale do Juruá. Além da planta industrial de Capixaba, o convênio prevê a implantação de outro complexo fabril em Acrelândia. Juntos, os dois polos de processamento de café robusta amazônico beneficiarão, diretamente, cerca de 400 famílias produtoras.
Para Rogério Araújo, a iniciativa cumpre um papel estratégico alinhado às diretrizes da Nova Indústria Brasil (NIB) e às práticas ASG. “A construção desta indústria movimenta toda uma cadeia produtiva regional, desde a construção civil até o setor de máquinas e equipamentos de ponta. É um estímulo direto ao crescimento econômico que transforma a vida das pessoas e da comunidade”, destacou, durante a vistoria.
O grande diferencial do projeto é a verticalização da produção: permitir que o café local não seja apenas cultivado, mas também processado e embalado com alto valor agregado dentro do próprio estado do Acre. Isso reduz drasticamente os custos logísticos e amplia a margem de lucro dos agricultores familiares.
O modelo adotado na região alia perfeitamente o desenvolvimento econômico à conservação ambiental. O cultivo do café robusta na Amazônia possui um alto potencial de sequestro de carbono, condição que oferece aos produtores uma alternativa altamente rentável que contribui diretamente para manter a floresta em pé.
Durante a agenda na propriedade de José Bento, as lideranças comunitárias reforçaram a importância da proximidade entre a indústria e o campo.
Para Manoel Araújo, ver as obras avançarem traz segurança para as famílias cooperadas. “Este projeto fortalece a nossa rede e valoriza quem está na terra. É um investimento real que atende a quem mais precisa e transforma o panorama econômico dos nossos municípios”, afirmou.
A presidente da Copasfe celebrou o andamento dos trabalhos. “Esta visita e o andamento das obras são uma grande vitória. O projeto traz esperança e valoriza o esforço de cada família que produz a riqueza da nossa região. É gratificante ver esse olhar atento para a nossa comunidade”, declarou.
As obras da unidade de beneficiamento de Capixaba seguem o cronograma planejado, com previsão de conclusão das instalações até o final deste ano.


