CNI entregará aos presidenciáveis propostas para conter a dependência recorde de importados e proteger a indústria e os empregos nacionais
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| Foto: Shutterstock |
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Atualizar a política comercial do Brasil é uma das prioridades da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para tornar o país mais competitivo e presente no comércio internacional. É o que mostra o documento produzido pela entidade para nortear os pré-candidatos à presidência do país sobre desafios e soluções da indústria.
Embora as exportações brasileiras tenham sido recorde em 2025, o consumo de bens importados é o maior em 20 anos.
Segundo o estudo Coeficientes de Abertura Comercial, produzido pela CNI em parceria com a FUNCEX, a presença de importados no consumo interno alcançou 26,7%, maior patamar da série histórica. O déficit da indústria de transformação foi de US$ 71,3 bilhões, o pior resultado desde 1997.
O documento Construindo o Brasil 2050 reúne, entre outras propostas, medidas voltadas ao fortalecimento da defesa da indústria, à competitividade das exportações, à ampliação da integração internacional e à promoção comercial.
Para a CNI, os resultados apresentados demonstram que o aumento das vendas para outras economias não é suficiente para garantir os ganhos de competitividade e a participação necessária do Brasil no mercado mundial.
Lacunas na defesa comercial, por exemplo, aumentam a incerteza e reduzem a capacidade de reação da indústria frente a choques externos e mudanças no ambiente internacional.
Segundo a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, a indústria brasileira precisa de uma política comercial compatível com a realidade atual do comércio internacional.
“Em um cenário marcado por reconfiguração, transformações geopolíticas e crescente competição entre países por investimentos e mercados, é fundamental garantir condições equilibradas de concorrência e promover uma inserção internacional estratégica que gere ganhos reais para a indústria, amplie investimentos, fortaleça a competitividade e contribua para o desenvolvimento econômico do país”, avalia. “Sem uma estratégia que combine defesa comercial efetiva, diplomacia econômica ativa e inserção internacional estratégica, o Brasil continuará enfrentando dificuldades para ampliar a agregação de valor das exportações, fortalecer a base industrial e aumentar a participação nos segmentos mais dinâmicos do comércio internacional”, completa Constanza Negri.
Em relação à inserção do Brasil no mercado internacional, ocorreu um avanço significativo com a entrada em vigor do acordo com a União Europeia e a conclusão das negociações e assinatura dos acordos com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura, que estão em processo de internalização.
Para a CNI, priorizar a negociação de acordos modernos que promovam ganhos equilibrados com parceiros estratégicos amplia o acesso do Brasil a mercados relevantes, aumenta a capacidade de diversificação da pauta exportadora e coloca as empresas brasileiras em melhor margem competitiva, especialmente no atual cenário de aumento das barreiras comerciais, crescimento de práticas desleais de comércio e intensificação das políticas adotadas por grandes economias.



