CNI propõe redução de encargos e tributos da conta de luz a pré-candidatos ao Planalto

Penduricalhos correspondem a 44% do valor da tarifa no Brasil; propostas para a área de energia fazem parte do caderno com temas prioritários da indústria que serão entregues aos presidenciáveis no dia 22

CNI propõe redução de encargos e tributos da conta de luz a pré-candidatos ao Planalto
Foto: Shutterstock

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Os encargos, subsídios e impostos que incidem sobre a conta de luz cresceram substancialmente nos últimos anos, correspondendo atualmente a 44% do valor da tarifa. A redução dos penduricalhos que encarecem os custos da energia elétrica é a principal proposta da indústria brasileira na área de energia para o próximo mandato presidencial.

As propostas para o setor de energia compõem o documento Construindo o Brasil 2050 – com 18 tópicos prioritários – que será entregue pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aos pré-candidatos à Presidência da República, no evento A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis, que ocorre no dia 22 de junho, em Brasília.

Os dados levantados pela CNI mostram que o peso da energia sobre a conta de luz é um dos principais fatores que compõem o Custo Brasil. Em 2017, os encargos e subsídios correspondiam a 2,9% do custo final da tarifa de energia elétrica. Em 2025, essa participação saltou para 18%, enquanto a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal fundo de subsídios do setor, passou de R$ 14 bilhões, em 2013, para um orçamento de R$ 52,7 bilhões previsto para 2026. O peso total de impostos e encargos em 2026 será superior R$ 72 bilhões.

Dos 44% de peso que esses penduricalhos somam na conta de luz, 18% se referem a encargos e 26,4% a impostos.

“Esse peso afeta diretamente a competitividade da indústria brasileira, especialmente dos setores intensivos em energia, reduzindo investimentos e elevando os custos de produção”, destaca o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A indústria considera a energia um tema imprescindível para a pauta do próximo governo. Na avaliação da CNI, é preciso reduzir os custos da energia para que o insumo passe a ter menos peso na produção e nos custos. Para a instituição, é preciso repensar estratégias e soluções que garantam o aprimoramento do modelo setorial e o aumento da competitividade da energia, em uma ação coordenada para que as oportunidades na área de energia renovável não sejam desperdiçadas.

A indústria defende uma redução gradual dos incentivos concedidos a fontes de geração que já alcançaram competitividade econômica, bem como a revisão dos subsídios destinados à geração distribuída e a determinados segmentos consumidores.

Outra medida considerada prioritária é transferir para o Tesouro Nacional despesas relacionadas a políticas públicas e sociais atualmente custeadas pela conta de luz, como a Tarifa Social de Energia Elétrica, o programa Luz para Todos e subsídios a consumidores rurais e de saneamento.

O sistema elétrico brasileiro já foi considerado um dos mais eficientes do mundo. Os grandes reservatórios hidrelétricos garantiam a segurança do sistema e o baixo custo da eletricidade. Essa situação representava uma importante vantagem competitiva para a economia brasileira. No entanto, essa lógica mudou e o país passou a ter uma das tarifas mais caras do mundo.

Apesar da grande oferta de energia, atualmente maior do que a demanda, o preço não cai e apresenta tendência de crescimento, pelo menos a médio prazo, principalmente em razão dos encargos e impostos.

“A Indústria tem esperança de que a energia elétrica volte a ser uma vantagem comparativa da economia brasileira. É preciso enfrentar os desafios com coragem e determinação para criar um mercado de energia mais diversificado, competitivo e eficiente”, afirma o presidente da CNI.

A indústria também defende a retomada dos investimentos em hidrelétricas, especialmente em usinas reversíveis e na modernização do parque gerador existente. O objetivo é aumentar a segurança energética do sistema, reduzir custos operacionais e dar suporte à expansão das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica.

O setor propõe, ainda, a regulamentação efetiva do teto de crescimento da CDE, garantindo que novos mecanismos de arrecadação não ampliem os custos para consumidores e empresas. Além disso, defende maior racionalização dos encargos setoriais e a redução dos chamados subsídios cruzados, tornando mais transparentes os sinais de preço no mercado elétrico.

Outra proposta diz respeito à modernização do modelo elétrico brasileiro, com ampliação da concorrência, aperfeiçoamento das regras de mercado, melhor alocação de riscos e criação de mecanismos para reduzir os impactos dos cortes de geração (curtailment), evitando que esses custos sejam repassados integralmente ao consumidor final.

A CNI destaca, no entanto, que houve medidas recentes consideradas positivas para o setor, como a abertura total do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão, que poderá beneficiar cerca de 400 mil micro e pequenas indústrias. A recente aprovação de um teto para o crescimento da CDE também foi uma positiva, pois sinaliza uma tentativa do poder público de conter os custos repassados aos consumidores.

Emerson Tormann

Técnico Industrial em Elétrica e Eletrônica, especializado em Tecnologia da Informação e Comunicação. Atualmente, é Editor-Chefe na Atualidade Política Comunicação e Marketing Digital Ltda. Possui ampla experiência como jornalista e diagramador, com registro profissional DRT 10580/DF. https://etormann.tk | https://atualidadepolitica.com.br

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